penelopíada
peça de teatro
+ cinco episódios teatrais
2025
chega até nós a escrita dos homens mas, para quem sabe abrir as malhas, chega-nos a inscrição das mulheres. PENELOPÍADA é uma obra que se tece e destece continuamente, percorrendo grandes mitos mas desta vez são contados por animais, ilhas, fios, pedras, a partir de uma relação sensível com as coisas. As mãos de Penélope vão trabalhando as histórias e, como o seu manto, sabemos que nenhuma história pode ser verdadeiramente acabada.
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direcção ANA CRISTINA COLLA concepção, criação e interpretação SUSANA CECÍLIO texto MATILDE REAL cenografia e desenho de luz EDUARDO BRASIL figurino ELISA ROSSIN e LADY MAKER captação e gravação de áudio LUCIANO ASSUMPÇÃO e MALENA RAMPI vozes off ANA CRISTINA COLLA, CATARINA CAETANO, CLÁUDIA ANDRADE, KAREN DEBERTOLIS, SUSANA CECÍLIO produção ANA PINTO fotografia e vídeo BETH FREITAS estudos cénicos para a criação CATARINA CAETANO, EDUARDO BRASIL, JOANA EGYPTO, MALENA RAMPI planeamento de comunicação POLIANA TUCHIA ilustração RENATA BUENO operação técnica ANTÓNIO PEDRO ORVALHO apoios ALMA D’ARAME, C.M DE MONTEMOR-O-NOVO, ENNES BUSINESS CENTER, IBERESCENA, JUNTA DE FREGUESIA DO LUMIAR, LUME TEATRO, PROJECTO RUÍNAS, REPÚBLICA PORTUGUESA | DGARTES, TEATRO BARRACÃO coprodução em residência O ESPAÇO DO TEMPO parceiros de comunicação GERADOR, COFFEEPASTE agradecimentos EQUIPA DO CENTRO JUVENIL DE MONTEMOR-O-NOVO, ANA SOFIA SANTOS, ROSA SOUTO ARMAS, KAREN DEBÉRTOLIS, LUCIANO ASSUMPÇÃO, POETA SOAVE
penelopíada: texto, tecido e trama
escrever sobre Penélope é perigoso. De Homero a Margaret Atwood, pergunto-me o que terá ficado por dizer, por imaginar. Mesmo os lugares velados da narrativa sobre o paradeiro, as intenções e os planos da rainha de Ítaca foram revirados, preenchidos por tramas complexas, teorias, palavras. Ao continuar a fazê-lo corremos o risco de cair no cansaço de milénios, imagens gastas, histórias complicadas para uma história que, por si só, já é tão forte! Ainda para mais quando Penélope é uma personagem que nos escapa, como terá escapado ao próprio Homero! Penélope faz connosco, que a tentamos escrever, aquilo que fez com os pretendentes: finta, ilude, confunde-nos com uma certa narrativa enquanto vive entre a constância, a lealdade, a paciência e o seu avesso.
então pensemos que, apesar de Penélope se apresentar aqui como personagem principal, tecedeira da trama que se abre em palco, esta peça não é tanto sobre Penélope como para Penélope. Conversámos durante este processo e, em colaboração com ela, contamos histórias que se entrelaçam no seu manto. Fazer um texto como quem faz um manto, fazer um manto como quem conta uma história, fazer e desfazer a história com a ponta dos dedos. Dentro deste título, Penelopíada, vivem muitas histórias, muitas mulheres. Algumas são dos mitos, outras somos nós que aqui estamos e a diferença não é assim tão importante. Juntas criamos uma rede, uma cesta, um recipiente que pode guardar tanto água como palavras, onde as histórias se cruzam e revelam que, como dizia Anaxágoras, "tudo está em tudo".
a obra de homero foi a odisseia, o poema. Pois então, a obra de penélope é a penelopíada, o manto. A trama é narrada pelos seus dedos, que conta as costuras e entrelaça as histórias menos conhecidas. Texto, tecido, trama? Qualquer que seja a obra, o trabalho é desfazê-la.